quarta-feira, 21 de maio de 2014

Abraço mortal




“Depois do silêncio das doze badaladas
Com a testemunha das estrelas douradas
Surge ela, de vestido branco como a neve
Com um sorriso breve e leve…”

Lentamente se aproxima de mim
Como uma rosa branca num negro jardim
De pele branca de lábios vermelhos.
Como um sonho, como um pesadelo
O meu coração bate em desespero
Fazendo meu corpo cair de joelhos…

O que fazer quando a sua voz por mim chama?
O que fazer para sair de este insólito drama?

Vejo a escuridão no seu coração
À espera da minha submissão
Neste doentio amor obscuro.
É como se fosse condenando
Carregar esta maldição como um fardo
Do seu desejo frio e impuro…

Seu sorriso vindo do inferno
Seduz-me para o paraíso eterno
Então aventuro-me nos seus braços.
Mas a sua paixão torna-se fatal
Neste apertado abraço mortal
Que desfaz minha alma em pedaços…



José Coimbra

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Conviver com a tristeza





Seguir a luz que brilha
Na insegura trilha
Que o destino traçou,
Procurar uma saída
Para a misera vida
Que o amor desolou…

Encarar a triste realidade
Criada pela necessidade
De sair do vazio deplorável,
Destruir toda a fonte de dor
Que este coração sofredor
Guarda de forma miserável…

Conviver com a tristeza
Sem ter a certeza
De alcançar a felicidade,
Fechar novamente o coração
E viver na cruel solidão
À margem da sociedade…




José Coimbra

terça-feira, 6 de maio de 2014

Timidez



Fico assim perdido
Sentado ao teu lado
E já nem consigo
Sair de este estado
De um ser tímido
Com ar de condenado.

Queria ser ouvido
Mas fico espectado
Como fosse impedido
Por um laço apertado
De dizer algo sem sentido
Ou de ser mal interpretado…


José Coimbra