terça-feira, 26 de setembro de 2017

Cilada



O crepitar da negra vela
Na noite de lua cheia,
A sala se transforma em cela
Onde cairei na sua teia.

A besta disfarçada de anjo
Avança calma e silenciosa
Eu em pleno desarranjo
E desatento a tal misteriosa.

De olhos afiados de puma,
Sua proposta é irrecusável
Ser ou não ser mais uma
Presa do seu olhar insaciável.

Como um tolo atordoado
Que procura a luz brilhante
Ela me deixa paralisado
Com a sua beleza petrificante



José Coimbra


sábado, 23 de setembro de 2017

Tango negro



Saciados de vinho envenenado
Pela tua astucia irracional
Criado pelo ambiente perturbado
Deste mundo cru e irreal.

Iniciamos a dança proibida
Banida pela lei ancestral
Que se julgava perdida
E recuperaste dum jeito imoral.

Pétalas negras espalhadas no chão
E uma loucura quase espiritual
De dois corações em aceleração
Que nos leva ao abismo infernal.

As palavras são um adorno
Neste tango quente e sensual,
E o teu sorriso um suborno
De um delírio frio e mortal…




José Coimbra

domingo, 17 de setembro de 2017

Razão proibida (V.1)



Como um anjo disfarçado
Seduzes-me para as profundezas
Desse teu abismo desolado
De escuridão e incertezas.

Preso no ponto de viragem
Da luz da tua graça
Que faz-me obedecer a tua imagem
De pecadora em desgraça.

E, a alma em decadência
Dá a luz este desgosto
Que resiste a evidência
Da beleza do teu rosto…




José Coimbra