domingo, 24 de agosto de 2014

No teu reflexo na janela



No teu reflexo na janela…
Minha luz, minha estrela
Minha dolorosa causa perdida.
Meu veneno, minha ternura
Minha fobia, minha cura
Minha princesa prometida.
Meu vício, minha mentira
Meu poema, minha sátira
Poderosa ninfa da minha vida.
Meu pecado, minha tentação
Minha debilidade, minha paixão
Minha orgulhosa fruta proibida.



José Coimbra

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Olhos castanhos



As minhas palavras seladas
Estão condenadas
A cair no esquecimento,
Os gestos inconscientes
São súplicas decadentes
Do agreste sentimento.

Recuso a minha inocência
Por um pouco de clemencia
Do teu julgamento banal
E, do amor cruel e frio
Subjugo-me ao martírio
Do penoso juízo final.

Descartei a minha vida
Pela terra prometida
Dos meus sóbrios sonhos,
Mas este amor inexorável
Torna-se indesejável
Nos teus olhos castanhos…



José Coimbra 

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Chave errada



Olho para estrelas enquanto espero
Mas no silêncio da noite, desespero
Engolido pela solitária escuridão.
Contemplo a lua brilhante, sozinho
Tentando encontrar o meu caminho
Longe de toda a compreensão.

Procuro pelo teu brilho no horizonte
Mas o meu desânimo quebrou essa ponte
Que me unia aos teus olhos cintilantes.
Tentei abrir essa porta mas estava fechada
Mais uma vez peguei a chave errada
E os meus sonhos ficaram mais distantes.

A estrela polar brilha mais forte
Rio, perante o meu desnorte
Desta misteriosa e traiçoeira dor.
O aperto do coração, o vazio…
Demonstrado pelo meu olhar frio
Que procura pelo “sabor” do calor…



José Coimbra