quarta-feira, 26 de junho de 2013

Tempestade de fogo


Previsão de chuva de fogo!

Acordou a fera,
Rufam os tambores,
Dança a terra,
Provoca terrores…

A montanha cospe fogo
É o prólogo
Da fera adormecida
Que retorna a vida,

O céu limpo escurece
E o inevitável acontece
O regurgitar da montanha
Com uma violência insana.

O rio mortífero laranja
Desce como uma lança
Destruindo tudo a seu passo
Num mortal abraço.

Reclama vidas
Daqueles que o tentaram desafiar
Que agora são colhidas
No seu caminho, em direção ao mar.

Quando a fera adormecer,
Restará apenas um rasto sombrio
E quem sobreviver
Respeitará o seu domínio…

Adormeceu a fera,
Pararam os tambores,
Acalmou a terra,
Fugiram os desertores…




José Coimbra

terça-feira, 25 de junho de 2013

Tempestade


Previsão de chuva!

A chuva cai violentamente nas montanhas
Monda as escarpas, com formas humanas.
É o poder da natureza na sua magnificência
Destrói e cria sem clemencia.
Tempestade que faz transbordar os rios
Cria enormes cataratas nos precipícios,
A fúria da água destrói tudo por onde passa
E os caudais dos rios são uma ameaça
A tudo que os homens construíram nas suas margens
Quando tentaram dominar as terras selvagens.
O rio destrói diques rumo ao seu objetivo
Reconquistando o seu leito primitivo
Em direção ao majestoso e azul mar
Com uma pujança que ninguém o consegue parar…




José Coimbra

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Noite


Noite negra, noite escura
Luz negra que te cura,
Noite deserta que te persegue
Com esta sombra que te segue,
Noite de outros seres
Com ocultos saberes,
Noite de diferentes anjos
Que segredam secretos desejos,
Noite de misteriosos animais
Em busca dos pecados carnais,
Noite da hábil lua cheia
Que lidera a faminta alcateia,
Noite que acorda espíritos
Para rescrever antigos mitos,
Noite fria que inflama
Ao puro sabor do pentagrama…



José Coimbra

sábado, 22 de junho de 2013

Enjaulado


Nada a minha volta me satisfaz
Sinto-me como se estivesse enjaulado
Em esta misera alma sem paz
Num corpo destruído e condenado
Com este sentimento de angústia voraz
Que me deixa cada vez mais atormentado.

Escondo o que meu pensamento me traz
Porque sempre estive errado
Sem nunca ter sido capaz
De olhar para a frente sem esconder o passado
E mesmo sabendo o mal que isso me faz
Desisti do meu “ eu “antes de ter sido libertado…





José Coimbra

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Tudo Acabou...


Não saber o que digo
Não entender o que penso,
Frases sem sentido,
Sem nexo e sem senso,
Para que lutar?
Será para sobreviver?
Para que amar?
Se essa luta não irei vencer.
Para que provar o meu valor
Se tudo acabou
É como o amargo sabor
De não saber para onde vou,
As palavras tornaram-se inúteis
Quando não há perdão
E os meus gestos fúteis
Calaram meu coração,
Será uma longa viagem
Para deixar de sofrer,
Será um ponto de viragem
Do interior do meu ser.
A tristeza dos meus olhos
É o espelho do meu coração
E dos absurdos sonhos
Que se tornaram numa ilusão…



José Coimbra